Tende as lâmpadas acesas

Sem esperança morremos…

"A tentação a permanecer na 'margem conhecida' é contínua"

Sem esperança morremos...
Lucidez

A vida do seguidor de Jesus é um contínuo estar em alerta, despertos, em espera, e dispostos

(José Ramón F. de la Cigoña).- As recomendações recebidas, ao iniciar uma viagem aérea, contém um tom de advertência séria: Recordam que a decolagem e a aterrissagem são momentos de risco e de instabilidade; por isso é preciso preparar-se e dispor-se. O aviso «afivelem seus cintos de segurança» corresponde ao imperativo «tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas», proferido por Jesus no Evangelho.

As advertências são necessárias, porque facilmente nos fechamos ao nosso habitual modo de viver, caindo na acomodação e na falta de atenção àquilo que acontece ao nosso redor. Com isso não avançamos e nem crescemos.

O tempo exige decisão, pois é sempre novo e nos abre a possibilidades colossais. Somos «seres de travessia», mas a tentação a permanecer na «margem conhecida» é contínua.

Em que consiste, então, «ajustar o cinto» e «cingir-se»? Assumir a frágil existência, e habitá-la com sentido. Gostemos ou não, estamos diante de uma etapa diferente das anteriores, na qual, junto a evidentes perdas, apresentam-se novas oportunidades.

Viver com lucidez e responsabilidade, sem cair na passividade ou na letargia. Tomar consciência dos medos, receios e resistências despertados pela «travessia» da vida, e tirar de dentro de nós as amarras que impedem o seu fluir.

Como manter viva a esperança? Como não cair na frustração, no cansaço ou no desânimo?

Nos Evangelhos, uma das advertências mais conhecidas é a que encontramos no Evangelho deste domingo: Tende cingido vossos rins e as lâmpadas acesas.
As duas imagens são expressivas. Indicam a atitude que os empregados devem ter quando, à noite, estão esperando que regresse seu senhor e abrir-lhe a porta quando ele os chamar. Devem estar com a «cintura cingida», ou seja, com a túnica presa à cintura para poder mover-se e atuar com agilidade, e «lâmpadas acesas» para ter a casa iluminada e segura.

A vida do seguidor de Jesus é um contínuo estar em alerta, despertos, em espera, e dispostos. Viver com os olhos abertos às vindas surpresas de Deus, ouvir seus passos e estar sempre em prontidão.

Despertar é uma das palavras básicas de toda sabedoria, pois facilmente nos submergimos no sono da ignorância. A condição humana pode ser definida em termos de «espera radical» ou de «esperança».

Esperar é ousar re-nascer, vir-de-novo, re-começar… na fulgurante arte de tecer a vida naquilo que ela tem de mais profundo. Não confundir espera com impaciência. A dinâmica da espera inclui a surpresa. A espera é sempre agradecida e confiada, uma autêntica sede de Deus.

«Da aurora ao anoitecer, estou sentado à minha porta. Sei que, quando menos o penso, virá o feliz instante em que o verei. Enquanto isso, sorrio e canto sozinho; enquanto isso, o ar está se enchendo do aroma da promessa» (Tagore).

A esperança, neste início de século e de milênio, parece ser ainda mais urgente e necessária, pois os homens e as mulheres deste tempo, parecem ter perdido a firmeza das antigas «verdades eternas».

A esperança pode brotar até nas horas mais difíceis e escuras da nossa vida.

Esta é a esperança que desejamos viver e comunicar a todos.

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Autor

José Manuel Vidal

Periodista y teólogo, es conocido por su labor de información sobre la Iglesia Católica. Dirige Religión Digital.

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